Anúncio

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Estação da Solidão

 

Me esfria e me amorna, me enamora e vai embora
Com palavras nada me diz, mas em entrelinhas me entrega o jogo
Me expresso pela arte - mas tão pouco - o que não é dito é maior e mais misterioso
Pois por vezes nem sei o que sinto e nem por quem, sentimento nem sempre se trata de ter um alguém

Eu gosto do novo e não do que se repete, se os seus passos são os mesmos não há nada de novo sob o carpete
Apenas a mesma poeira, que lá é jogada. Eu finjo que não te conheço e você finge que nunca tivemos nada

O seu trem passa agora e o meu sei lá quando, por favor não pegue o próximo, já estou sozinho fazem anos
Essa é a estação da despedida, mas quando você for; não anuncie a hora da partida






sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Agulha de Linha do Tempo

Vivo em um sonho longo, onde eu te abraço e beijo leve o seu rosto
E só desperto desta Maya, quando incomodado por um estrondo ou alvoroço
Não me recordo do teu cheiro, nem do cintilar dos teus dedos em meus cabelos. E em desolado contragosto não lembrar mas recordar é algo que meu coração sente com pesar
Meu corpo é como uma espada, abandonada e enferrujada, esperando a adrenalina pelas mãos de seu escudeiro
Como um cigano, leio minhas mãos para prever em que ponto te encontro, minhas linhas não mais te mostram e nossos caminhos não estão mais tão apostos
Uma vela acesa em um quarto escuro, a chama ainda queima enquanto meu coração for seu refúgio. Não sei o que por você sinto tampouco o que pra ti sou
O desejo de te ter me consome e termina - ao lembrar que jamais fostes minha, um ciclo de via infinda
O que a Quiromancia não mostra é a realidade que não se adivinha, e com linha e agulha penso - se tenho direito de costurar sua vida
Mas já não tenho mais linha, gastei o que tinha
Ao costurar meu peito, que você rasgou com palavras tecidas em um único texto
Sou cigano não por escolha ou romantismo de cultura, sou cigano por linhagem. Amo livre e só bebo da água pura
O amor nasce não do entendimento mas do respeito pelo que se sente, só se tem medo do que não se compreende
Com o tempo descobrirá que sou um grande mistério, não sou o que escrevo, eu sou o que eu quero








terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Unir-versos

Quisera eu orbitar pra outro lugar. Assim como as ondas são do mar, desejo ser leve como o luar, meus pensamentos vivem lá, isso posso comprovar
Minha mente divaga sobre as estrelas, e mesmo com toda minha destreza, ainda sim caí no canto daquela sereia
Se a vida fosse composta inteiramente por metáforas, seriamos todos; ''bolos atrás da nossa cereja''?
Conclui que quem está sempre a procurar, nunca irá encontrar

De noite não precisamos de eletricidade, a luz do luar é suficiente pra iluminar toda cidade. E assim como a lua minguante, ás vezes me falta metade
Se por acaso você estiver minguando pelos cantos, me avise que te completo com mutualidade. Juntos seremos lua cheia, mesmo que te soe como besteira

Em um momento somos tudo, em outro somos nada, e é na madrugada que minha mente viaja. Minha cama vira espaçonave, inclusive um dia desses fui até Marte
Hoje me deu vontade de pegar a estrada, mas esqueci o endereço da sua casa


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Fora da Gravidade

Até que doía, mas ela era tão bonita e o efeito que me fazia, era de se sentir poucas vezes na vida
E eu? Não sou ninguém importante

Sou alguém que você desejaria ter por perto em um momento, e logo em outro instante, bem distante
Apesar daquele lindo sorriso não me intimido, minha mãe sempre disse que o meu também é bonito
Ela tinha uns lindos cabelos e alguns trejeitos
E se eu fosse cego? Iria me apaixonar pelo seu cheiro

Porém enxergo bem
Ter aquela imagem guardada na mente, as vezes me faz bem

Mas por agora, tanto faz
A gravidade que me tira do chão é a mesma que me traz, já não vejo diferença entre paixões de metrô e as de verão de três anos atrás

sábado, 24 de junho de 2017

Se partes, eu me parto

Talvez eu não seja amável e meu perfume não seja do teu agrado
E é sobre isso que tenho pensado
Sobre meus poemas não terem mais sentido, sobre escrever algo sem ter vivido
Sobre ter angústia de tudo aquilo que já foi perdido

E assim vivemos, com todo o fogo que não foi apagado, no meu peito ardendo
Todas as dúvidas me matam. Em não pensar, é no que tenho realmente pensado
Se cada pensamento me causa um estrago, talvez seja um sinal de que sou fraco

Tenho imaginado
Já estou muito cansado de correr para todos os lados, nunca sei para onde estou indo
E você me diz para aguardar e rezar, me deseja felicidade e que em somente em coisas boas devo pensar

Mas não posso me enganar
Algumas palavras, estão a me sufocar
Então me diga, como paro essa insanidade?
Qual a última coisa que devo fazer, antes de enlouquecer?


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Cheio do Vazio

Tenho milhares de coisas para escrever, e só uma mente
Ás vezes parece que carrego o peso de muita gente
E fica tudo aqui, gritando para sair

Poucas pessoas me entendem, talvez ninguém
Então coloco tudo no papel, e compartilho só o que me convém
Talvez nada convenha, nem naqueles dias que minha criatividade deseja entrar em cena

Mas tudo parece vazio e sem sentido, quando me pergunto o que realmente tenho sido
Isso não é um sinônimo de tristeza ou melancolia
Só procuro me expressar sem mentiras e de uma forma que não seja vazia
Buscarei não me preocupar tanto, a final, tenho mais alguns anos de páginas em branco



terça-feira, 7 de março de 2017

Ter-te

Tem sido difícil acordar, acredite, ainda sinto o seu tocar
Fecho meus olhos para imaginar os seus, que há um tempo, refletiram nos meus
Me coloco ao sol para lembrar do teu calor, que um dia me queimou
Quando vou ao mar, recordo do teu amor, que um dia me afogou

Quando decaio, tento não a recorrer, seria uma falha, mostrar que não consigo lhe esquecer
Existem resquícios de você. Na deixa desses devaneios, só me resta escrever
E no ato de continuar em frente, eu falho constantemente
O orgulho circunda minha mente, e o meu coração insiste na gente

E se cem versos eu escrever, nenhum vai realmente dizer, o quão difícil é viver, com a mente na lua, e o coração em você