Ainda lembro do dia em que a fonte secou.
Não detalhadamente, não sou uma pessoa que mente.
Expus meu coração, talvez eu tenha até lhe feito uma canção.
Mas você não. Me confundiu na sua confusão.
Supri a sua carência, até hoje não entendi o porquê daquela minha demência.
Sempre tem uma consequência. Quando ninguém se conhece mais, não tem diferença.
Foi eu que pedi dispensa, ou você que me matou em sua forma densa?
Seu sentimento não tinha sentido, suas memórias não pesaram o que te falei ao pé do ouvido.
Quando seus olhos não brilhavam mais ao me ver, e seus gestos me afastavam exterminando o meu ser.
O que eu temia tinha acabado de acontecer, naquela noite de domingo, onde a primavera ainda estava surgindo, o que dizia-se amor, parou de florescer.
Eu passei a entender.
Minhas folhas caíram, a minha ficha também.
E naquele exato momento eu percebi, que você não era aquele alguém.
E mesmo me querendo bem, hoje eu vejo, que meu sentimento não cabia em você.
Nem sei se valeu a pena te conhecer.
Em um dia sem inspiração, eu escrevi sobre aquela sua ação. Você merece um galardão.
Por me livrar de suas mãos.
